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ÍNDICE |
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A questão das indenizações
(matérias
comentadas) |
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São Paulo, terça, 7 de abril de 1998
VÔO 402
Empresa pagará R$ 12.750 por
acidente
Justiça dá 1ª sentença contra a
TAM
RODRIGO VERGARA
da Reportagem Local
A companhia aérea TAM deve pagar,
até a próxima segunda-feira, a
primeira indenização determinada
pela Justiça por danos causados pela
queda de um avião Fokker-100 em São
Paulo, em 31 de outubro de 1996, que
matou 99 pessoas.
A decisão, do Tribunal de Justiça de
São Paulo, foi publicada ontem e tem
prazo de cinco dias para ser
cumprida.
A TAM informou
que irá recorrer,
mas o recurso não suspende o
pagamento.
A indenização foi fixada em R$
12.750 e será depositada em nome de
Maria Aparecida Locatelli Gasparian,
ex-mulher do executivo Arthur
Eduardo Gasparian, morto no
acidente. Quando vivo, Arthur
destinava 8,5% de sua renda à
ex-mulher.
A decisão do TJ respeita essa
proporção. A reparação determinada
corresponde a 8,5% de R$ 150 mil,
valor que a TAM sempre ofereceu como
indenização a cada vítima fatal. A
diferença entre a decisão judicial e
a oferta da empresa é que a TAM
exigia que o familiar assinasse um
termo dando como satisfeitos seus
direitos.
A sentença de ontem obriga a TAM a
pagar a quantia que havia oferecido
como justa e aguardar o andamento do
processo que Maria Aparecida move
contra a empresa, com base no Código
de Defesa do Consumidor.
"Minha dívida não está quitada.
Ainda pretendo receber R$ 220 mil
pela morte de meu ex-marido",
afirmou Maria Aparecida. O valor
pleiteado equivale a 8,5% do que seu
ex-marido, que tinha 54 anos quando
morreu, receberia até completar 65
anos.
Maria Aparecida afirma que o valor
pago é pouco, mas que isso a ajudará
a enfrentar a crise financeira que
vive desde a morte de Arthur. "É
pouco, mas vai me aliviar bem."
Regina Marilia Prado Manssur,
advogada de Maria Aparecida, disse
esperar que sua cliente receba todo
o dinheiro a que tem direito dentro
de um ano. O prazo é questionável,
segundo outros advogados que
representam parentes de vítimas do
acidente ouvidos pela Folha.
Maria Aparecida, no entanto, crê que
o caminho jurídico escolhido é o
mais adequado. "Não sei quanto tempo
vai levar, mas estou acreditando na
Justiça brasileira."
Comentário
A TAM garantiu que pagaria
indenização a todas as vítimas do
acidente. O seguro é de US$ 400
milhões. Porque então recorreram? E
a palavra do Comandante Rolim e da
empresa? Tudo marketing?
____________________
20 famílias aceitaram acordo
da Reportagem Local
O pagamento a Maria Aparecida
Locatelli Gasparian será o 21º feito
pela TAM a parentes de vítimas do
acidente com seu Fokker-100, pelas
contas da empresa. A diferença é que
as outras 20 indenizações foram
feitas por acordo entre familiares
da vítima e a companhia.
Assim, parentes de 20 vítimas já
teriam recebido os R$ 150 mil
oferecidos pela empresa e dado como
quitadas suas dívidas com a TAM.
De acordo com a assessoria de
imprensa da TAM, familiares de
outras três vítimas estariam
interessados no pagamento, mas ainda
não conseguiram reunir os documentos
necessários.
O seguro obrigatório, a que todo
passageiro tem direito quando
adquire a passagem, também já foi
pago, mas apenas às 25 famílias de
vítimas que o requisitaram. Ele
estava avaliado em cerca de R$ 15
mil à época do desastre.
O pagamento do seguro, de acordo com
a TAM, não implica o abandono de
qualquer direito por parte dos
familiares.
Sobre a sentença do TJ, a TAM
informou que irá pedir ao tribunal
que esclareça os fundamentos de sua
decisão. (RV)
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São Paulo, quinta, 16 de julho de 1998
Empresa recorrerá da decisão que
exige pagamento de R$ 1.560 ao mês a
parente
Justiça obriga TAM a pagar indenização
RODRIGO VERGARA
da Reportagem Local
Um ano e sete meses depois da queda do
Fokker-100 da TAM, no Jabaquara, em São
Paulo, que matou 99 pessoas,
a Justiça proferiu ontem a primeira
sentença obrigando a empresa aérea a
indenizar um parente de vítima do
acidente.
A sentença, porém, permite recurso, e
a TAM já
adiantou, ontem, que recorrerá.
A decisão judicial obriga a empresa a
pagar 12 salários mínimos (R$ 1.560)
mensais até o final da vida de Maria
Aparecida Locatelli Gasparian. Ela é
ex-mulher de Arthur Eduardo Gasparian,
morto no acidente aos 50 anos.
Quando era vivo, Arthur destinava 8,5%
de seus rendimentos a Maria Aparecida. A
indenização corresponde a 8,5% do que
ele receberia até os 65 anos, divididos
em parcelas mensais.
A advogada Regina Marília Prado Manssur,
que representa Maria Aparecida, disse
que irá pedir a tutela antecipada do
valor, para evitar que um recurso da TAM
adie o início dos pagamentos. "Minha
cliente corre risco de saúde devido à
suspensão dos pagamentos que seu marido
fazia regularmente."
A indenização de ontem é o segundo
capítulo que Maria Aparecida inaugura na
disputa judicial de familiares de
vítimas com a TAM. Em abril, ela havia
sido a primeira parente da vítima a
receber alguma quantia da empresa aérea
(R$ 12.750).
O valor correspondia a 8,5% dos R$ 150
mil que a TAM admita pagar por vítima do
acidente. A diferença é que Maria
Aparecida conseguiu, na Justiça, receber
esse dinheiro sem ter que assinar nenhum
documento dando como quitada sua dívida
com a TAM.
Ao contrário dela, familiares de 20
vítimas aceitaram os R$ 150 mil,
assinaram o documento e não terão
direito a nenhuma indenização a mais.
Ação coletiva
Outra ação referente ao acidente teve
novidades ontem. Na 2ª Vara Cível do
Fórum do Jabaquara, o promotor Luis
Antonio Sampaio Arruda deu parecer
contrário à ação de famílias de vítimas
do desastre contra duas empresas
norte-americanas que fabricaram peças do
avião acidentado.
O parecer foi comemorado pelos parentes,
que pretendem acionar as duas empresas
nos EUA mas primeiro têm que "testar" a
eficácia da Justiça brasileira.
Diante de tais intenções, o promotor
optou por sugerir o arquivamento da
ação. Ele que a lei brasileira
possibilita que os direitos sejam
pleiteados no exterior. "O promotor está
coberto de razão", disse Renato
Guimarães, advogado de alguns
familiares.
RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
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São Paulo, sexta, 30 de outubro de 1998
Famílias entram hoje na Justiça contra
TAM
Cerca de 80 famílias das vítimas da
queda do vôo 402 da TAM devem entrar
hoje na Justiça com pedidos de
indenização contra a empresa, um dia
antes dos dois anos do acidente que
provocou a morte de 99 pessoas em São
Paulo. Esse é o prazo final para
apresentação de ações. Os pedidos variam
de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões.
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São Paulo, sábado, 31 de outubro de 1998
Família pede indenização de R$ 10 mi
da Reportagem Local
A maioria das famílias dos 89
passageiros que morreram na queda no vôo
402, no dia 31 de outubro do ano de
1996, iniciou nesta semana a batalha
judicial contra a TAM pedindo
indenizações que variam de R$ 2 milhões
a R$ 10 milhões.
A TAM informou que 23 famílias aceitaram
o acordo proposto pelas seguradoras da
empresa, baseada em convenções
internacionais, que previam o pagamento
de US$ 145 mil.
Ao assinar o acordo, as famílias deram
como quitadas a dívida com a empresa.
De acordo com a legislação dos acidentes
aéreos, o prazo para que as famílias
entrassem na Justiça pedindo indenização
terminou ontem.
"Deixamos para a última hora porque
ficamos esperando a conclusão do
inquérito e também para ver se
receberíamos uma proposta mais decente
do que essa dos US$ 145 mil", disse a
presidente da Abrapavaa (Associação de
Parentes e Amigos das Vítimas de
Acidentes Aéreos), Sandra Assali.
Como o inquérito policial não apontou o
culpado pelo acidente, as famílias
entraram com ação utilizando o Código de
Defesa do Consumidor.
O único valor que as famílias
que não aceitaram o acordo receberam até
agora é o seguro obrigatório de R$
17.774, previsto no Código
Brasileiro de Aeronáutica.
Além do processo que começou a correr no
Brasil, 65 famílias também entraram com
ação de indenização nos Estados Unidos
contra três fabricantes das peças que
apresentaram defeito no Fokker-100: a
Northorp Gruman, Teleflex e também a
Allied Signal.
Segundo o advogado Renato Guimarães
Júnior, que acompanha a ação no
exterior, os pedidos de indenização são
de R$ 20 milhões para cada família.
Também foram incluídos no processo a TAM
e a Fokker, que fabrica o avião.
A TAM informou que as
seguradoras ligadas à empresa pagaram
cerca de US$ 7 milhões em indenizações
para as vítimas do acidente.
Desse total,
US$ 3,5
milhões para cobrir os danos ocorridos
no solo.
Pelo menos seis famílias que moravam na
rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara,
zona sudoeste, entraram com processo na
Justiça alegando que o valor foi
insuficientes para cobrir os prejuízos.
Segundo o
advogado, o relatório final apresentado
pela Aeronáutica omitiu alguns anexos.
Entre eles, estariam três pareceres de
órgãos de investigação internacionais
com informações contrárias às apresentas
no documento.
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São Paulo, quarta, 18 de novembro de
1998
Justiça dá liminar para 8 famílias
A
22ª Vara Cível de São Paulo concedeu
liminar garantindo tutela antecipada na
ação indenizatória movida por oito
famílias de vítimas que morreram na
queda do vôo 402 da TAM. O acidente
aconteceu no dia 31 de outubro de 1996,
matando 99 pessoas, no Jabaquara, zona
sudoeste de São Paulo.
A tutela
antecipada obriga a TAM a fazer um
depósito judicial de R$ 150 mil para
cada uma das famílias beneficiadas pela
liminar. O dinheiro deverá
ser depositado em dez dias, sem que as
famílias sejam obrigadas a renunciar a
outros pedidos de indenização, que
variam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões.
O valor de R$ 150
mil faz parte do acordo de indenização
proposto pelas seguradoras da TAM.
A
empresa informou que vai recorrer na
Justiça
porque os laudos confirmaram que ela não
teve culpa na falha que causou a queda
do Fokker-100.
* RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM
01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
*
Valor disponível para indenizações deste
acidente (coberto por seguro)
400 milhões de dólares.
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São Paulo, quinta, 19 de novembro de
1998
JUSTIÇA
Companhia informou que vai
recorrer da sentença
Justiça obriga TAM a pagar R$ 1 mi a
filho de vítima
RODRIGO VERGARA
da Reportagem Local
A Justiça de São Paulo concedeu ontem a
primeira indenização de mais de R$ 1
milhão (exatos R$ 1,009 milhão) para um
parente de uma vítima da queda do avião
da TAM no Jabaquara, em São Paulo, em 31
de outubro de 96. No acidente, morreram
99 pessoas.
A TAM
informou ontem que não havia sido
intimada sobre o resultado da ação, mas
adiantou que vai recorrer da sentença.
Isso deve adiar por pelo menos dois anos
o pagamento de alguma indenização.
O autor da ação é Marcelo Eduardo
Locatelli Gasparian, filho do executivo
Arthur Eduardo Gasparian, que morreu no
acidente.
Parte da indenização serviria para
cobrir "danos patrimoniais". Filho de
pais separados, Marcelo recebia 10% do
salário do pai como pensão. A sentença
de ontem, do juiz James Alberto Siano,
titular da 24ª Vara Cível de São Paulo,
obriga a TAM a restabelecer a pensão por
11 anos.
O prazo é calculado pela diferença entre
a idade do pai de Marcelo na data de sua
morte (54 anos) e a expectativa média de
vida do homem brasileiro (65 anos). Após
os 65, raciocina a Justiça, ele estaria
morto, e Marcelo não receberia a pensão,
de qualquer maneira.
Por essa conta, Marcelo teria direito a
R$ 1.568 mensais, corrigidos, durante 11
anos, equivalentes a 10% do último
salário do pai (R$ 15.980). Sem
correção, isso dá um total de R$ 210
mil.
Danos morais
A sentença ainda prevê o pagamento de R$
799 mil como compensação pelos "danos
morais" causados pela perda do pai.
O juiz calculou esse valor como sendo 50
vezes o último salário do executivo
morto no acidente.
A advogada de Marcelo, Regina Marília
Prado Manssur, informou ontem que irá
pedir a antecipação do valor que a TAM
ofereceu como indenização para cada
vítima do acidente.
A reparação oferecida é de cerca de R$
150 mil. Mas, no caso de Marcelo, sua
mãe, Maria Aparecida Locatelli Gasparian,
ex-mulher do executivo, já havia ganho
na Justiça o direito a 8,5% desse total.
O percentual é igual à parcela do
salário do ex-marido a que ela tinha
direito quando ele era vivo.
Assim, Marcelo irá requisitar o
pagamento, imediato, do restante, cerca
de R$ 137 mil. A advogada já havia
tentado a antecipação, mas a Justiça
negou o primeiro pedido.
RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
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São Paulo, sábado, 20 de março de 1999
Juiz manda TAM pagar indenização de R$ 2
mi
JOSÉ MASCHIO
da Agência Folha, em Londrina
O juiz da 6ª Vara Cível de Londrina
(PR), Celso Seikite Saito, condenou a
TAM a pagar indenização de R$ 2 milhões
à família da relações-públicas Flávia
Regina Vilela Staot, morta no acidente
da TAM, em São Paulo, em 31 de outubro
de 1996. O acidente matou 99 pessoas. Na
sentença, de 11 de março último, o juiz
estabelece as quantias de R$ 1 milhão
por danos materiais e R$ 1 milhão por
danos morais. A TAM pode recorrer. Ao
requerer a indenização,
os advogados da família,
Antônio Sebastião de Lima e Cícero da
Silva,
se basearam no Código de Defesa do
Consumidor e não nas leis aeronáuticas
do país.
A mãe de Flávia, a professora aposentada
Lúcia Marina Vilela Staot, diz que o
valor decidido pelo juiz Saito "não
cobre nenhum sofrimento pela perda de
Flávia, mas poderá servir de alerta para
que as companhias aéreas pensem mais em
questões como manutenção e segurança de
suas aeronaves''. A Agência Folha não
conseguiu falar ontem com o setor
jurídico da TAM.
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São Paulo, Sexta-feira, 30 de Abril de
1999
PERIGO NO AR
Quantia virá de fabricantes
estrangeiros de peças apontadas como
causa de acidente que matou 99 em 1996
Juiz manda depositar R$ 11 mi no caso
TAM
MALU GASPAR
da Reportagem Local
Dois fabricantes estrangeiros de
componentes do avião da TAM que caiu em
96, matando 99 pessoas, terão de
depositar R$ 11 milhões como garantia
para eventual derrota em processo movido
pelas famílias das vítimas.
A decisão é provisória e pode sofrer
recurso. A 2ª Vara Cível do Fórum
Regional Jabaquara, na capital,
determinou que a Teleflex - que fabricou
um cabo de segurança que se soltou- e a
Northrop - que produziu um relé suspeito
de ter falhado - depositem R$ 500 mil à
disposição da Justiça para cada família
que pede indenização pelo acidente.
Nesse processo, 22 famílias pedem
indenização.
Segundo o promotor Nelson Sampaio de
Andrade, que fez o pedido da medida
cautelar, a decisão do juiz pretende
garantir que a empresa tenha dinheiro
para pagar eventual indenização.
Caso a
sentença final dê ganho às famílias, o
valor a ser recebido pode ser maior ou
menor que o depositado pelas empresas.
O laudo da Aeronáutica sobre o acidente
concluiu que defeitos nessas duas peças
do avião foram causas do acidente, por
permitirem abertura indevida do reverso.
O reverso é um dispositivo que, mudando
de posição as conchas metálicas que
envolvem a turbina, funciona como uma
espécie de marcha à ré. No acidente do
Fokker-100 da TAM, ele abriu no momento
em que o avião decolava. Por isso, em
vez de ganhar velocidade, a aeronave
caiu.
Segundo a Aeronáutica, o relé -tipo de
interruptor elétrico- falhou e permitiu
o acionamento do reverso na decolagem.
Além disso, o cabo de segurança deveria
ter impedido que o motor do avião fosse
acelerado com o reverso aberto. Mas o
sistema se soltou.
O promotor afirmou que, caso as duas
empresas não depositem a quantia
determinada pelo juiz, a Justiça
brasileira terá de recorrer à
norte-americana para cobrar a
indenização. Isso porque nem a Northrop
nem a Teleflex têm representação no
Brasil.
Outras 65 famílias de vítimas do
acidente entraram com ação na Justiça
americana. Eles tomaram essa decisão por
considerarem a Justiça dos EUA mais ágil
e a legislação mais avançada no que se
refere a indenizações.
Segundo os advogados das famílias, a
indenização nos Estados Unidos abrange
prejuízos não considerados no Brasil,
como o "dano potencial" - prosperidade
econômica que a vítima atingiria pelo
progresso em sua carreira profissional
se estivesse viva.
Essa ação está suspensa, porque a
Justiça dos EUA quer primeiro verificar
se o Judiciário brasileiro age com
rapidez no caso. A decisão sobre a
caução pode ser interpretada como prova
disso e fazer com que os EUA rejeitem a
ação.
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São Paulo, quarta, 19 de maio de 1999
Viúvas de acidente da TAM têm
audiência
Familiares de vítimas da queda do avião
da TAM em SP, em 31 de outubro de 96,
saem de audiência com representantes de
empresas norte-americanas que fabricaram
peças da aeronave. Havia uma
possibilidade de acordo, que não foi
aceita pelas empresas, que propuseram a
inclusão, como réus, da TAM e da empresa
holandesa Fokker, fabricante do avião,
que está falida.
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São Paulo, sábado, 12 de junho de 1999
TAM terá de adiantar R$ 105 mil a
família
Da Reportagem Local
A TAM terá de pagar antecipadamente
parte da indenização para a família do
italiano Frederico Marina, uma das
vítimas da queda do avião Fokker 100, em
1996.A empresa aérea perdeu anteontem no
STJ (Superior Tribunal de Justiça) a
última oportunidade de evitar o
pagamento antecipado.Um tribunal de São
Paulo havia determinado que a TAM
pagasse antecipadamente à família 70%
(R$ 105 mil) de um total de R$ 150 mil
aprovado pela seguradora da empresa.
A TAM recorreu ao STJ,
argumentando que sua culpa não ficou
comprovada ainda. O STJ negou o pedido
da TAM afirmando que o pagamento
antecipado é justo para as famílias e
não trará prejuízos à empresa, que será
ressarcida pela seguradora.
Apesar de a
decisão valer apenas para um processo,
de uma única família, ela deverá ser
anexada aos processos de todas as demais
73 famílias que movem ações na Justiça
contra a TAM e levada em conta pelos
juízes em suas próximas decisões. Para
Sandra Assali, presidente da Associação
de Parentes e Amigos das Vítimas de
Acidentes Aéreos, a decisão foi um
grande trunfo para todas as famílias
porque "qualquer juiz vai estar
consciente disso".
Em nota à imprensa, a TAM afirmou que,
assim que a decisão for publicada, "irá
cumprir o que vier a ser determinado em
decisão final". A empresa, entretanto,
entende que qualquer pagamento de
indenização só deveria ocorrer após a
comprovação de sua culpa.
Em outra
decisão, o juiz Jorge Farah, do 1º
Tribunal de Alçada Civil, concedeu uma
liminar que anula os efeitos de uma
outra liminar que determinava à empresa
Northrop, que produziu um relé para o
avião suspeito de ter falhado, que
depositasse em juízo R$ 500 mil para
cada família de vítimas do acidente para
servir como garantia em uma possível
condenação da empresa pelo
acidente.Segundo o advogado Renato
Guimarães, que representa as famílias,
essa decisão é "um novo desastre" para
as vítimas.
RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
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Junho 1999
A teimosia das
viúvas
Elas não desistem de saber o que
aconteceu no trágico vôo 402 da TAM, em
1996, e seguem na luta pelas
indenizações
Tinha tudo para ser um
embarque glamouroso. Na noite de
quarta-feira 9 de junho, 120 passageiros
do vôo inaugural da TAM na rota São
Paulo-Paris fizeram o check-in
no Aeroporto de Cumbica, prontos para
subir a bordo do airbus novíssimo
adquirido na França por US$ 90 milhões.
À entrada do saguão, cruzaram uma
réplica do Arco do Triunfo, receberam
taças com champanhe e só então
alcançaram o balcão, onde os aguardavam
funcionários sorridentes.
Tudo
seria perfeito se elas não estivessem
lá, distribuindo panfletos ao lado do
monumento falso e desenrolando faixas.
As "viúvas da chance", de novo,
atrapalhavam uma festa da TAM com
palavras de ordem que alvejavam a imagem
e a direção da empresa.
Uma das faixas continha um recado:
"Se Charles de Gaulle soubesse quem você
é, jamais permitiria o pouso do airbus
da TAM em Paris". O destinatário era
Rolim Adolfo Amaro,
56 anos, dono da segunda empresa aérea
brasileira em vôos domésticos e alvo
permanente do grupo de mulheres que
perderam maridos ou parentes próximos na
queda do Fokker 100 na Zona Sul de São
Paulo, em 31 de outubro de 1996.
Outra faixa, depois de lembrar a
data da tragédia e o número de mortos
(99), agredia um dos símbolos do
atendimento aos passageiros da
companhia: "Agora você já sabe por
que o tapete da TAM é vermelho".
O desastre
provocou o nascimento de uma associação
obstinada e impertinente. "Hoje
funcionamos como uma ONG na luta pela
cidadania", afirma Sandra Assali, líder
das viúvas. Rolim Amaro, que nas horas
seguintes à tragédia visitou familiares
de algumas vítimas, evita falar sobre o
grupo, batizado oficialmente de
Associação Brasileira dos Parentes e
Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa).
Procurada pela reportagem de Época, a
direção da TAM também se esquivou. Em
contrapartida, elas não perdem a chance
de falar em Rolim.
Inconformadas com a
atitude da empresa, que na opinião da
entidade tem recorrido a todos os
artifícios para evitar o pagamento de
indenizações, as militantes seguem
dispostas a esclarecer as causas do
desastre. "Perdemos status", diz Suzana Klepetar. "Muitas de nós tivemos de
trabalhar para criar os filhos, coisa
que jamais havíamos feito." Aos 42 anos,
a viúva Suzana é dona de um centro de
estética montado pelo pai.
O
vôo 402 é o emblema da entidade, mas
outros 13 casos de acidentes aéreos -
todos ocorridos no Brasil e envolvendo
aeronaves de outras empresas - foram
encampados pelos 150 sócios da Abrapavaa.
Cada um contribui com R$ 30 por mês para
custear as despesas - basicamente,
volumosas contas de telefone e gastos
com material de divulgação. A quantia é
insuficiente, até porque nem todos
contribuem com a regularidade combinada.
Hoje, quando há necessidade de viajar,
vai quem tem dinheiro para pagar
bilhetes aéreos.
Diretores da TAM insinuam que as
mulheres são financiadas por empresas
concorrentes.
"Não dá nem para responder a um absurdo
desse tipo", rebate Sandra, viúva do
cardiologista José Abu Assali.
O grupo
não tem dado trégua à TAM.
As militantes não querem apenas
dinheiro: exigem a elucidação do caso,
intrigadas com o que teria acontecido
entre o momento da decolagem e o
instante em que o Fokker 100 se
espatifou no solo, no bairro do
Jabaquara. Tudo ocorreu em exatos 24
segundos. "Vou até o fim nessa cruzada,
nem que tenha de seguir sozinha", avisa
Sandra. Ela transformou a confortável
casa onde mora com os dois filhos, no
bairro do Planalto Paulista, em sede da
associação. O ambiente doméstico virou
escritório, equipado com computadores,
telefones e aparelhos de fax.
Muitas delas eram casadas com executivos
e profissionais bem-sucedidos.
Habituadas aos confortos da classe média
alta, várias tiveram de procurar
trabalho. Poucas vivem de renda ou com o
dinheiro recebido das companhias de
seguro. Ativistas vaidosas, cuidam do
visual, embora se vistam sempre de preto
em atos públicos. "Queremos marcar o
nosso luto", explica Sandra.
O
inquérito criminal, com dez volumes e 17
mil páginas, permanece inconcluso. Sem
paciência para tanta lentidão, elas
desencadearam investigações paralelas.
Lembrando: Nota da
TAM sobre o Acidente - 31/10/1996
"Neste doloroso momento, a TAM
se sente na inadiável obrigação de
declarar que está prestando todo e
qualquer apoio possível aos familiares e
amigos de todas as lamentáveis vítimas,
e a todos assistirá, em tudo que
necessário for, para aliviar a
irreparável dor e o trauma impostos por
esse funesto acidente."
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São Paulo, Sábado, 25 de Setembro de
1999
JUSTIÇA
Valor oficial do acordo não foi
divulgado, mas advogado brasileiro diz
que é superior a US$ 2 milhões
Fokker indeniza vítima americana da
TAM
RENATO FRANZINI
de Nova York
GONZALO NAVARRETE
da Reportagem
Local
A viúva de uma das vítimas
norte-americanas do acidente com o avião
Fokker-100 da TAM, que caiu em São Paulo
matando 99 pessoas em 1996, fechou um
acorde indenização nos EUA com a
fabricante do avião, a empresa holandesa
Fokker.
Este é o primeiro acordo fechado no
exterior, depois da queda do vôo 402 da
TAM, no dia 31 de outubro, segundos após
a decolagem do aeroporto de Congonhas.
O valor oficial não foi divulgado, mas,
segundo o advogado Renato Guimarães, que
representa os interesses das vítimas
brasileiras nas ações em andamento no
Brasil, a família norte-americana deve
receber uma quantia superior a US$ 2
milhões para terminar o processo contra
a Fokker.
O acordo foi feito nas "últimas
semanas", antes que a ação fosse julgada
pela Justiça, segundo o advogado Anthony
Gair, da Gair, Gair, Conason, Steigman &
Mackauf, sediada em Nova York.
Gair disse que a viúva, Celia Berliner,
e dois filhos adultos da vítima são os
beneficiários.
Segundo ele, a ação foi impetrada numa
corte estadual em Nova York contra a
Fokker e a TAM.
"A TAM continua contestando a
jurisdição. Ela acha que não pode ser
processada nos EUA", disse Gair à Folha.
A TAM informou que começou a operar nos
EUA a partir de 98, dois anos após o
acidente, e por isso não pode ser
processada.
A ação pode ajudar brasileiros que
também buscam indenização nos EUA,
segundo o advogado Lee Balen, do
escritório Speiser Krause, que
representa famílias brasileiras em ações
na Califórnia e em Nova York.
"Legalmente, não há conexão entre os
casos. Mas o acordo nos dá um argumento
político. Por que um americano pode
ganhar e um brasileiro não?", disse.
Ao todo, 65 famílias brasileiras
entraram com ações de indenização nos
Estados Unidos.
O processo no exterior só poderá
prosseguir depois que a ação aberta
movida contra as mesmas empresas no
Brasil - que ainda não começou - seja
concluído.
Atraso
No Brasil, os processos de
indenização contra a TAM continuam
tramitando na Justiça, sem estimativa de
conclusão.
O atraso aconteceu porque a maioria das
famílias iniciou a batalha judicial
apenas em outubro de 98, dois anos após
a queda do avião. O início da ação foi
adiado porque as famílias esperavam a
conclusão das investigações.
Apenas 25 famílias acertaram com a TAM
para receber indenização prevista nas
normas internacionais.
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São Paulo, sexta, 15 de outubro
de 1999
Tribunal reduziu valor de
caução
Famílias de vítimas da TAM são
derrotadas
da Reportagem Local
As famílias das vítimas da queda do
Fokker 100 da TAM sofreram duas
derrotas na Justiça. Ontem, o 1º
Tribunal de Alçada Civil de São
Paulo reduziu de R$ 500 mil para R$
300 mil a caução que as empresas
Northorop Corporation e Teleflex
devem depositar em favor de cada uma
dos 65 familiares das vítimas.As
empresas são responsáveis pela
fabricação de peças do reverso
(espécie de freio do avião) do
Fokker 100 da TAM, que apresentou um
defeito e provocou a queda do avião
em outubro de 1997, matando 99
pessoas.
As empresas terão 30 dias a
partir da publicação da decisão para
depositar o dinheiro em uma conta no
Fórum do Jabaquara, onde corre a
ação de indenização.A caução foi
determinada pelo juiz Rômulo Russo,
do Fórum do Jabaquara, como uma
forma de garantia. Isso porque as
empresas Northrop e a Teleflex são
norte-americanas e não possuem bens
nem sede no Brasil.
O valor foi
reduzido ontem após recurso
apresentado pela Northrop, que havia
pedido a revogação total da caução.
O 1º Tribunal de Alçada Civil também
negou ontem um mandado de segurança
impetrado por advogados das 65
famílias que solicitava o
arquivamento do processo de
indenização que tramita no Fórum do
Jabaquara. Segundo o Tribunal, o
mandado foi impetrado fora do prazo
legal.
Segundo os advogados das
famílias, o arquivamento do processo
brasileiro é a única saída para que
outra ação de indenização aberta nos
Estados Unidos contra as empresas
envolvidas no acidente (Fokker, TAM
e fabricantes das peças do reverso)
possa prosseguir.
No mês passado, a
Fokker fechou um acordo de
indenização com uma das vítimas
norte-americanas do acidente para
que a família encerrasse o processo
contra a empresa em Nova York. O
valor oficial não foi divulgado, mas
deve ficar acima de US$ 2 milhões.
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São Paulo, terça, 26 de outubro
de 1999
STJ condena TAM a indenizar
família
(acidente com Fokker 100 em
Bauru/SP - 1990)
da Agência Folha, em São José do
Rio Preto
O
Superior Tribunal de Justiça
condenou a TAM a pagar
indenização
por acidente que provocou a
morte de mãe e filho em Bauru.
Por unanimidade, os ministros
decidiram que a empresa terá de
indenizar
a família da engenheira Gisele
Marie Savi Pinto,
então com 29 anos, no valor
correspondente ao que ela
receberia de salários até
completar 65 anos.Gisele
trabalhava como caixa na agência
do Banco do Brasil.
Ela e o filho Guilherme, então
com 4 anos, morreram quando um
Fokker 27-500 da TAM esmagou o
carro em que estavam, no dia 12
de fevereiro de 1990. O avião,
que fazia a rota São
Paulo-Cuiabá, fez pouso forçado
em um terreno vazio, depois de
uma tentativa frustrada de pouso
no aeroporto de Bauru (345 km de
SP).
Ferido, o piloto Paulo Sérgio
Espósito morreu alguns dias
depois.
Recurso
A família de
Gisele ganhou a ação em primeira
instância, mas a TAM conseguiu
reverter a decisão no 1º
Tribunal de Alçada Cível, em São
Paulo. A família recorreu ao
STJ, em 1993.
A decisão é
passível de recurso ao próprio
STJ (Superior Tribunal de
Justiça). A TAM informou, por
meio da assessoria de imprensa,
que vai aguardar o acórdão para
decidir o que fazer.
Clique aqui e leia aqui a
íntegra da sentença do STF
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Domingo, 31 de Outubro de 1999
Briga
judicial marca terceiro ano de
acidente com avião da TAM
O acidente com o Fokker 100
da TAM,
que caiu no Jabaquara, zona
sul de São Paulo, matando 99
pessoas
completa hoje o
terceiro ano.
É uma
data amarga para os parentes
das vítimas, que lutam
contra as lembranças da
tragédia mas também para
receber as indenizações.
Foi um vôo de
apenas seis segundos e meio.
Logo depois de decolar no aeroporto de Congonhas, com
destino ao Rio, o avião caía
sobre as casas. Devastador,
em seguida arrancou o teto
de um sobrado. Trem de
pouso, turbinas, cauda e
asas esbarravam nas casas.
As investigações concluíram
que o problema estava no
reverso da avião.
Apenas 26 famílias
de passageiros aceitaram os
US$ 145 mil oferecidos a
cada uma delas. O restante
não quis saber de acordo com
a empresa e está tentando
vários caminhos judiciais,
até agora frustrados, para
receber. O valor definido
pelo pool de seguradoras
contratadas pela TAM está
disponível desde dezembro de
1996.
O laudo do
Ministério da aeronáutica só
foi divulgado em 11 de
dezembro de 1997, 12 meses e
41 dias após o acidente. Por
conta dessa demora, o grupo
da Associação Brasileira de
Parentes e Amigos das
Vítimas de Acidentes Aéreos
(Abrapavaa), que ficou
conhecido como "viúvas da
TAM", preferiu entrar com
ação nos EUA.
Foi uma tentativa
de responsabilizar a Northrop Grumman (fabricante
do reverso) e a Teleflex
(que produz o cabo que o
aciona, que se rompeu e
causou o acidente). As
empresas não têm
representação no Brasil e,
por isso, o processo passou
a ser movido no país de
origem dos fabricantes. Um
escritório especializado em
acidentes aéreos de lá
designou um advogado
brasileiro para ser o elo
entre eles e os parentes das
vítimas.
Vitoriosa, cada
uma dessas 65 famílias
receberia entre US$ 2
milhões e US$ 6 milhões, mas
o juiz americano Willian MacDonald suspendeu a ação e
determinou que elas
provassem que a Justiça
brasileira não queria
apreciar o caso. Quase dois
anos após o acidente, já na
data-limite, as famílias
entraram com ação
indenizatória no Fórum do
Jabaquara, na capital. Com
isso, terão de esperar o
veredicto daqui.
Mel
"Não acredito
que os EUA tenham sido
um mel que colocaram na
nossa boca, para depois
morrermos na praia", diz
Suzana Klepetar, de 42
anos, que perdeu o
marido. Para ela, os
advogados americanos se
interessaram pela causa,
estiveram aqui pelo
menos seis vezes - e vão
lutar por ela.
A presidente
da associação, Sandra Assali, acha que o juiz
de lá logo vai concluir
que a Justiça brasileira
é morosa. Apesar disso,
entende que os EUA
representa apenas uma
tentativa. "O que a
gente quer mesmo é que a
coisa ande, aqui ou lá",
diz. "O que dói é que a
TAM tem uma apólice de
US$ 400 milhões só para
o caso do vôo 402."
Uma das lutas
do grupo é a criação de
um órgão de assistência
às famílias de vítimas
de acidentes aéreos,
como já existe nos EUA.
A associação questiona
também os vários
tratamentos dados pela
Justiça nos casos de
tutelas antecipadas.
Algumas estão sendo
dadas na totalidade,
outras pela metade,
outras em valores
mensais, outras mediante
caução e outras nem
estão sendo dadas.
As
tutelas são espécies de
liminares que obrigam a
TAM a pagar um
adiantamento, sem que os
beneficiados abram mão
do direito de mover ação
para aumentar o valor
pago. A empresa vem
recorrendo de todas, mas
já teve de pagar
algumas.
Viúva brasileira
Para
a administradora de
empresas Maria
Guiomar Vieira, que
perdeu o marido e
tem dois filhos, TAM
Teleflex, Northrop e
Fokker poderiam
perfeitamente
pulverizar os gastos
com indenizações. Há
um mês e meio, a
viúva de um dos
passageiros
americanos fez
acordo com a Fokker
e recebeu US$ 3
milhões. "Mas nós
somos viúvas
brasileiras", diz,
desolada.
Frustrada
com o fato de a ação
americana não ter
dado em nada,
Guiomar chegou a
ganhar em primeira
instância a tutela
antecipada, mas a
TAM recorreu e
ganhou em segunda.
"É uma luta
desgastante,
difícil." Algumas
pessoas já chegaram
a lhe dizer que ela
deveria fazer
acordo. Teria de
encerrar a ação no
Brasil. "Eu não
posso fazer isso; me
sentiria um lixo."
Quem
entrou com ação
baseada no Código de
Defesa do
Consumidor, que não
exigia a divulgação
do laudo, pode estar
mais perto de uma
solução. Em março, o
juiz da 6.ª Vara
Cível de Londrina
(PR), Celso Seikiti
Saito, determinou
que a TAM indenize a
família de Flávia
Regina Vilela Staut
em R$ 2 milhões
(metade por danos
morais e a outra por
danos patrimoniais).
A TAM recorreu e o
caso agora tramita
em Curitiba.
"Eles vão
recorrer em todos os
pontos e isso já é
esperado, mas nós
lutaremos também",
garante a mãe de
Flávia, Lúcia Marina
Vilela Staut, de 53
anos. Sua filha
trabalhava num
shopping de Londrina
e recebia salário de
R$ 3 mil. Parte
ajudava a sustentar
Lúcia, viúva e com
outros três filhos.
Flávia tinha 23 anos
e era a filha
caçula. "A vida
continua, mas
difícil é a saudade,
que só aumentou
nestes três anos."
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São Paulo, quarta, 08 de dezembro de
1999
Novo código prevê mais
indenizações Valor pago por acidente
aéreo em vôo doméstico vai passar para
US$ 145 mil
ISABEL VERSIANI da Sucursal de Brasília
O projeto de reformulação do
Código Brasileiro de Aeronáutica
que está sendo preparado pelo Ministério
da Defesa
prevê um aumento das
indenizações pagas a familiares de
passageiros da aviação civil, no caso de
acidente em vôo doméstico,
de US$ 12 mil para cerca de US$
145 mil.
O
ministro Elcio Alvares (Defesa) disse
que o governo pretende equiparar a
indenização àquela já paga no caso de
acidentes em vôos internacionais.Alvares
afirmou que o código também estabelecerá
a obrigação de as empresas indenizarem
seus passageiros por eventuais prejuízos
provocados por atrasos ou cancelamentos
de vôos.
Alvares se reuniu ontem com os
presidentes da Varig, Vasp, Transbrasil
e TAM para discutir os projetos que o
governo está preparando para alterar o
Código Brasileiro da Aeronáutica e para
criar a Anac (Agência Nacional de
Aviação Civil).
O ministro afirmou que,
antes de encaminhar o texto dos projetos
para o Congresso para votação, ele
também pretende discutir o tema com
trabalhadores do setor e com
parlamentares.
O secretário de
Organização Institucional do Ministério
da Defesa, José Augusto Varanda, disse
que o projeto de criação da Anac prevê a
possibilidade de a agência assumir a
regulação da concessão dos aeroportos à
iniciativa privada. "Se o governo desestatizar, caberá à agência criar o
tipo de concessão."O presidente do
BNDES, Andrea Calabi, afirmou que o
Brasil tem demanda por empresas de
aviação de grande porte, o que
implicaria a fusão das empresas.
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São Paulo, terça, 21 de dezembro de 1999
Queda de Fokker, em outubro de
1996, matou 99 pessoas
TAM é condenada a indenizar e pagar
pensão a família de vítima
da Reportagem Local
A Justiça de São Paulo condenou
a empresa aérea TAM a indenizar a viúva
e o filho de mais uma das vítimas do
acidente ocorrido em 31 de outubro de
96, quando um Fokker caiu no Jabaquara
(zona sudoeste de SP) e matou 99
pessoas.A sentença foi dada no último
dia 23 pelo juiz Sérgio Gomes, da 31ª
Vara Cível. Ela prevê a indenização de
Lídia e Daniel Morishito, mulher e filho
do bancário Carlos Yukio Morishito,
passageiro morto na queda.Morishito
trabalhava no banco BCN e recebia pouco
mais de R$ 5.000 mensais.
No total, a TAM terá que pagar
R$ 400 mil à família e garantir uma
pensão vitalícia à viúva no valor
equivalente a dois terços do salário do
bancário (cerca de R$ 3.300).A pensão é
a indenização por danos materiais. Os R$
400 mil somam o que a empresa deveria
ter pago nos 38 meses já decorridos
desde o acidente (R$ 128 mil) com 2.000
salários mínimos (R$ 272 mil) arbitrados
como indenização à família por danos
morais.
O valor não inclui correções, honorários
nem custas processuais.
O advogado da família,
Fernando Lottemberg, vai
recorrer da sentença, pois considerou
baixo o valor da indenização por danos
morais.
"Há jurisprudência que concede 8.000
salários mínimos para uma vítima que
ficou deficiente em um assalto a banco",
disse ele.
O advogado da TAM, Luiz Alvarez,
também vai
recorrer.
Ele alega que o prestador de serviço se
exime de responsabilidade quando
comprovada a culpa de terceiros,
conforme o Código de Defesa do
Consumidor, usado pelo juiz na sentença.
A TAM afirma que o
relatório da Aeronáutica apontou falhas
no projeto do avião, o que faria recair
a culpa sobre os fabricantes da aeronave
e de suas peças.
A empresa já
recorreu de quatro condenações
anteriores.
O
argumento também já foi usado pela
empresa durante o trâmite inicial da
ação. Na ocasião, o juiz Sérgio Gomes
não aceitou a argumentação alegando que
"o transportador assume uma obrigação de
resultado", ou seja, tem de levar o
passageiro ao seu destino. Gomes também
apresentou uma interpretação diferente
do relatório da Aeronáutica citado pela
defesa da empresa aérea.Segundo ele, o
relatório revela "culpa acentuada,
gravíssima, consubstanciada na operação
da aeronave com tripulação (co-piloto)
de reduzida experiência, dificultando a
interpretação da situação anormal
durante a decolagem".O
juiz continua a sentença listando o que
considerou evidências de culpa da TAM.
Segundo ele, o comandante não verificou
o funcionamento dos equipamentos e
adotou procedimentos errados no momento
da pane. Além disso, diz o juiz, a
tripulação do vôo anterior foi omissa ao
não comunicar a existência de falhas na
turbina à equipe que a sucedeu.
RELEMBRANDO O QUE FOI DITO EM 01/11/1996
O comandante Rolim Adolfo Amaro,
fundador e presidente da TAM, chegou
nesta sexta-feira (1) a São Paulo às
6h30, depois de pilotar quase a noite
inteira seu jato Cessna Citation, vindo
do Caribe. Às 15h, ele concedeu
entrevista coletiva no aeroporto de
Congonhas e afirmou que vai indenizar
todas as vítimas que estavam a bordo do
Fokker 100 sem que seja necessário
qualquer iniciativa legal por parte das
famílias.
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Vítimas de acidente da TAM fazem acordo
e definem indenizações
10/05/2000 00h28
SÍLVIA FREIRE
repórter da Folha Online
Cerca de 60 famílias das vítimas dos vôo
402 da TAM, que caiu em São Paulo há
três anos e meio, matando 99 pessoas,
fecharam um acordo com a Justiça
americana para o recebimento de
indenizações. Os valores, que começarão
a ser pagos dentro de 60 dias, variam
para cada família e são mantidos em
sigilo.
O acordo começou a ser discutido entre
as famílias há aproximadamente um mês
entre a Fokker, fabricante do aparelho,
a Northrop Grumman, que fabricou o
reverso - peça que causou a queda do
avião-, e TAM. A negociação foi
intermediada por um escritório de
advocacia americano.
A seguradora Lloyds, de Londres,
calculou o valor das indenizações pela
idade da vítima, número de filhos e
profissão.
Segundo Sandra Assali, presidente da
associação das vítimas de acidentes
aéreos, o número de famílias que
aceitaram o acordo surpreendeu. “Apenas
três ou quatro famílias das 65 que
entraram na Justiça americana resolveram
não fechar o acordo”, disse. Quem optar
pelo acordo tem de desistir da ação que
corre na Justiça brasileira.
“Espero que o dono da TAM sugira um
acordo também para as famílias que
optaram pela Justiça brasileira, como
ele soube sentar para fazer um acordo
com os americanos”, disse Sandra.
Segundo ela, o acordo depende agora
apenas de trâmites burocráticos. O
escritório que intermediou as
negociações pediu que a notícia do
acordo só fosse divulgada depois que
tudo estivesse acertado entre as 65
famílias que entraram na Justiça
americana.
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TAM terá que pagar cerca de R$ 1
mi à família de aeromoça
13/05/2000 16h06
da Folha de S.Paulo
O juiz Carlos Nunes Neto, da 5ª Vara
Civil da Comarca de São Paulo, condenou
a empresa aérea TAM a pagar 6.000
salários mínimos (quase R$ 1 milhão) à
família da aeromoça Mariceli Pires
Carneiro como indenização por danos
morais.
Mariceli é uma das vítimas do acidente
com o Fokker 100 da TAM, que ocorreu em
outubro de 1996.
Para o juiz, a TAM
teve ‘culpa grave no evento”.
A sentença foi assinada pelo juiz em
abril, mas só foi conhecida agora por
ter sido encaminhada para publicação, o
que ainda não ocorreu. A TAM pode
recorrer.
Para os advogados da família, Laerte
Tebaldi e Nelson Hanada, a sentença é
importante porque é a primeira por danos
morais e abre precedente para as
decisões judiciais aguardadas pelas
famílias dos demais tripulantes, que
também acionaram a TAM.
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São Paulo, sábado, 08 de julho de 2000
ACIDENTE DA TAM
Parentes de 15 das 99 vítimas do
acidente com o Fokker-100 vão dividir R$
2,3 milhões por danos materiais
Juiz antecipa indenização a famílias
DA REPORTAGEM LOCAL
As famílias de 15 das 99 vítimas fatais
do acidente com o Fokker-100 da TAM que
caiu logo após decolar do aeroporto de
Congonhas em outubro de 96 vão dividir
R$ 2,3 milhões como antecipação da
condenação por danos materiais concedida
pelo juiz Rômulo Russo, da 2ª Vara Civil
do Jabaquara, no último dia 30.
O dinheiro tem de ser pago pela Northrop
Grumman, empresa norte-americana
fabricante do freio-reverso, equipamento
que falhou e derrubou o avião.
Essa empresa foi condenada pelo juiz
Russo a pagar, além dos danos materiais,
R$ 2 milhões por danos morais a cada uma
das cerca de 40 famílias que ainda são
integrantes da ação.
O advogado das famílias, Renato
Guimarães Jr., quer que a própria TAM e
os seguradores Unibanco, IRB (Instituto
Resseguros do Brasil) e Lloyd's, de
Londres, sejam considerados responsáveis
solidários pelo pagamento.
Como a Northrop, que foi condenada, não
tem bens no Brasil e tampouco depositou
a caução judicial, o advogado quer que
as famílias possam cobrar o dinheiro da
TAM e das seguradoras.
Guimarães Jr. argumenta que o Código de
Defesa do Consumidor prevê que não
apenas o fabricante, mas o fornecedor ou
o importador, independentemente de
culpa, respondem solidariamente pela
ofensa.
Mas, de acordo com o despacho do juiz
Adilson de Andrade, o pagamento tem de
ser feito pela empresa condenada por
Russo, ou seja, a Northrop.
Os advogados da Northrop no Brasil,
Gilberto Giusti e Ricardo Pagliari Levy,
não tinham conhecimento do despacho até
o início da noite de ontem. Levy afirmou
que, se fosse prejudicial à empresa,
recorreria da decisão.
Salário
Os R$ 2,3 milhões referem-se a dois
terços do último salário de cada vítima,
multiplicado por três anos e oito meses,
tempo transcorrido desde o acidente,
mais duas pensões provisórias,
referentes a este mês e ao mês de agosto
próximo.
O despacho do juiz Andrade prevê que, a
partir de 1º de outubro, as 15 famílias
beneficiadas passarão a receber pensão
mensal. A menor pensão é de R$ 1.282. A
maior, de R$ 14.630.
Guimarães Jr. também está preparando
recurso para aumentar o valor das
pensões, pois entende que cada família
dependia de mais do que o equivalente a
dois terços do salário.
Esses valores não são finais, pois o
juiz concedeu uma antecipação do
pagamento.
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31/10/2002 -
09h01
Após 6
anos, vítimas de acidente da TAM ainda buscam indenização
LÍVIA
MARRA
da Folha Online
A queda do
Fokker 100 da TAM que fazia o vôo 402 completa seis anos
nesta quinta-feira. A aeronave caiu minutos depois de
decolar do aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo,
caindo sobre casas no Jabaquara.
O acidente provocou
99 mortes e parentes das vítimas ainda buscam indenizações.
As dificuldades são maiores em casos de herdeiros menores de
idade. Apesar de muitas famílias terem firmado acordos nos
Estados Unidos, há cerca de dois anos, a burocracia esbarra
na própria Justiça brasileira.
Os acordos variam de US$ 300 mil a US$ 1,5 milhão, conforme
o número de dependentes e a idade, por exemplo.
No entanto, uma vitória ocorria há duas semanas pode abrir
precedentes a outras vítimas. A beneficiada é Sandra Assali,
presidente da Abrapavaa (Associação Brasileira de Parentes e
Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos) e viúva do médico
José Assali, morto no acidente.
"Ainda há uma burocracia interna, mas viro este ano com esta
página", desabafou.
Parte das famílias recorreu à Justiça americana porque
quatro empresas foram responsabilizadas pelo acidente - a
Fokker, a TAM, a Northrop Grumman (fabricante do reverso) e
a Teleflex (fabricante do cabo de segurança da peça). O
dinheiro dos acordos foi depositado há cerca de dois anos em
bancos internacionais.
Porém, conforme a Abrapavaa, questionamentos foram impostos
pelo Ministério Público brasileiro às famílias com herdeiros
menores de idade, bloqueando o dinheiro depositado no
exterior. O Ministério Púlico afirma que a manifestação é
obrigatória em casos envolvendo menores.
As principais discussões giram em torno da divisão do valor
a ser pago. Para o Ministério Público, a indenização deveria
ser dividida igualmente pelo número de beneficiários e não
metade para a viúva e a outra metade para os filhos.
Sandra Assali conseguiu o pagamento de 50% para cada parte.
Já as 34 famílias que entraram apenas na Justiça
brasileira, firmaram acordo com a TAM no valor inicial de R$
145 mil.
A presidente da Abrapavaa espera que a decisão em seu favor
abra caminho para que a Justiça libere as indenizações de
outras 40 famílias de vítimas com filhos menores de idade.
"Quero acreditar que meus argumentos sirvam para os outros
casos", disse.
Apesar de ser a primeira parente de vítima com filho menor a
conseguir uma vitória, Sandra afirma que "a associação
continua envolvida para ajudar famílias e vítimas de vários
acidentes".
Diferentemente dos anos anteriores, neste dia 31 de outubro
as famílias dos mortos não deverão realizar manifestações ou
atos públicos. A expectativa é aguardar que a Justiça atenda
as outras famílias.
Acordos
A empresa confirma
que fechou, juntamente com os fabricantes da aeronave, 53
acordos judiciais e 25 extrajudiciais e que
alguns processos
judiciais ainda não foram liquidados "por motivos alheios à
vontade da TAM
(1),
entre os quais o aguardo do cumprimento de formalidades
jurídicas e impostas principalmente pelo Ministério Público
em casos envolvendo menores".
Conforme a
empresa, todos os danos materiais às casas e veículos
atingidos começaram a ser indenizados um mês após o acidente
e tudo foi quitado em três meses.
(2)
"Após exaustivas investigações por parte de autoridades
brasileiras e internacionais concluiu-se que não houve
responsabilidade da TAM no acidente tanto no aspecto
operacional de vôo quanto no de manutenção da aeronave",
afirma a empresa.
Comentando
(1) Mentira.
(2) Mentira.
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TAM:
indenização cai de R$ 2 mi para R$ 116 mil
14
de fevereiro de 2007 • 08h03
Redação Terra
A 16ª Câmara
de Direito Privado do Tribunal de Justiça (TJ) reduziu nesta terça-feira
de R$ 2 milhões para pouco mais de R$ 116 mil (333 salários mínimos) as
indenizações por dano moral a familiares das vítimas do acidente com o
Fokker 100 da TAM, em 1996, considerado o segundo maior no País depois
do acidente com o avião da Gol.
A reparação
por danos morais foi mantida em dois terços do salário da vítima pelo
período que ela viveria até completar 65 anos. Ainda cabe recurso. Em
1999, o juiz Rômulo Russo Júnior condenou a empresa americana Northrop
Grumman Corporation, fabricante do freio-reverso do avião, a indenizar
as famílias. De acordo com o juiz, a empresa "não teve zelo ou a
competência-humildade de prever a probabilidade de eventual mau
funcionamento do sistema elétrico a ele (reverso) interligado", segundo
o jornal O Estado de S. Paulo.
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As notícias
relacionadas ao acidente com o voo 402 da TAM desapareceram do
noticiário, mesmo com vários processos em andamento na justiça. |
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