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MH 17

 

 

 

TRAGÉDIA NA UCRÂNIA

 

 

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O voo MH17 da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo caiu na Ucrânia no dia 17 de julho quando voava de Amsterdam para Kuala Lumpur. Há a suspeita de que ele tenha sido abatido por um míssil numa região, controlada por separatistas pró-Rússia que estão em confronto com o governo de Kiev.

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ÍNDICE




Eventos precedentes à queda
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Em 3 de março de 2014 as companhias aéreas Korean Air e Asiana Airlines deixam de voar sobre o espaço aéreo ucraniano, por motivo de segurança.

A emissora russa NTV reportou em 29 de junho 2014 que os separatistas pró-Rússia possuíam acesso ao sistema de mísseis Buk, após tomar o controle de uma base de defesa aérea da Ucrânia (Base A-1402). Nesse mesmo dia, a República Popular de Donetsk reivindicou a posse desse sistema em um tweet posteriormente deletado.

Em 1° de julho de 2014, as autoridades ucranianas advertiram os pilotos para não voarem abaixo de 26 000 pés (7.920 m) no lado leste da Ucrânia.

O veículo de ataque de curto alcance 9K35 Strela-10, cujos mísseis alcançam até 3.500 m (11.500 pés) foi filmado pela mídia russa Lifenews em 10 de julho de 2014 perto de Donetsk. Por outro lado, importantes oficiais ucranianos negaram que os rebeldes possuíam o sistema Buk. O ministro ucraniano de relações exteriores, Pavlo Klimkin, afirmou também que a Ucrânia não teria o sofisticado sistema de mísseis terra-ar na região.

No dia 13 de julho de 2014, Sergey Kurginyan declarou que os lançadores do Buk, tomados do exército ucraniano, seriam consertados em breve por especialistas da Rússia. Anteriormente, em 27 de junho, a Ucrânia tinha reparado um sistema Buk-M1 e divulgado no seu site do Ministério da Defesa da Ucrânia, sendo que esse era um equipamento que antes somente era reparado na Rússia, com um componente apenas produzido lá, mas que, dessa vez, foi reparado na Ucrânia. O Ministério da Defesa russo disse que o equipamento militar estava em funcionamento no dia da queda do avião. Posteriormente, o ministro disse possuir imagens aéreas das bases ucranianas de lançamento de mísseis terra-ar que estavam instaladas no sudeste do país.

Em 14 de julho, um telefonema não confirmado entre Oleh Bugrov Valeriovyc (chefe do exército e vice-mininstro da defesa da auto-proclamada República Popular de Lugansk) e um oficial do Serviço de Inteligência da Rússia, foi dito que estariam de posse do sistema de lançamento Buk e que iriam "trazer (aviões) para baixo".

Nesse mesmo 14 de julho, um avião militar ucraniano Antonov An-26 foi abatido enquanto voava a 21.000 pés (6.400 m), sendo confirmado que foi através do sistema Buk. Oficiais dos Estados Unidos disseram mais tarde que havia evidências que sugeriam que o míssil foi disparado dentro de território russo.

As autoridades ucranianas elevaram, nesse mesmo dia, a altura recomendada para os pilotos trafegarem, passando de 26.000 pés (7.920 m) para 32.000 pés (9.750 m) no lado leste da Ucrânia. Dois dias depois, um avião militar da Ucrânia, um Sukhoi Su-25, foi abatido, e oficiais do governo ucraniano acusaram militares da Rússia de serem os culpados por terem derrubado o avião com um míssil ar-ar disparado por um jato MiG-29 russo. A informação foi rejeitada pelo porta-voz do Ministério de Defesa russo, considerando a acusação como absurda.

Em 17 de julho, a Rússia fechou mais de uma dúzia de rotas aéreas de diversas altitudes. Um jornalista anônimo da Associated Press disse ter visto um lançador do Buk em Snizhne, uma cidade em Donetsk Oblast, cerca de 16 quilômetros do local do acidente. O repórter também viu sete tanques rebeldes em um posto de gasolina perto da cidade.

Nesse mesmo dia, houve um telefonema não confirmado entre Sergei Nikolaevich Petrovskiy (chefe-adjunto do Serviço de Inteligência da Rússia) e um militante pró-Rússia em que discutiram onde descarregar e colocar o sistema de mísseis Buk.

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O voo MH 17 e o acidente
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A aeronave Boeing 777-2H6ER, prefixo 9M-MRD, da Malaysia Airlines, partiu do Aeroporto de Amsterdã-Schiphol às 12h14 (CEST - Hora Central Europeia de Verão), 10h14 UTC, e tinha como destino o Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia.

A bordo estavam 283 passageiros e 15 tripulantes.

O voo MH17 tinha duração estimada em 11 horas e 45 minutos, com pouso previsto para as 06h00 do dia 18 de julho no horário local (22h00 de 17 de julho UTC).

De acordo com a Malaysia Airlines, o plano de voo solicitado para a aeronave previa uma altitude de 35 mil pés (10.700 metros) enquanto estivesse sobrevoando o espaço aéreo da Ucrânia.

Porém, ao entrar no espaço aéreo ucraniano, a tripulação foi instruída pelo Controle de Tráfego Aéreo para descer a 33 mil pés (10.100 metros).

O Controle de Tráfego Aéreo ucraniano perdeu o contato com o voo MH17 às 14h15min (GMT), nas coordenadas (47° 51′ N 39° 13′ E47), a aproximadamente 50 km da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

Mais tarde, descobriu-se que o avião havia caído próximo ao vilarejo Hrabove, ao norte de Torez, uma cidade ao leste da região de Donetsk Oblast, próxima da fronteira com a Rússia. O momento em que o avião caiu foi registrado em vídeo em uma gravação feita por uma testemunha.

O site Flightradar24 informou que os aviões Boeing 777-200ER (voo SQ351) da Singapore Airlines e o Boeing 787-800 da Air India (voo AI113) desviaram suas rotas em cerca de 25 km da rota do avião da Malaysia Airlines, após o desaparecimento deste dos radares.

Fotografias do local do acidente mostram peças quebradas e espalhadas da fuselagem e partes do motor, assim como corpos e passaportes.

Alguns dos destroços caíram perto das casas de Hrabove. Dezenas de corpos caíram nos campos de cultivo e nas casas.

Na noite de 17 de julho, o portal lifenews.ru divulgou o seguinte comunicado: "No dia 17 de julho, próximo ao vilarejo Rassypnoye, na cidade Torez da região Donetsk, um avião de transporte An-26 da Força Área Ucraniana foi derrubado, segundo a milícia. De acordo com eles, o avião foi derrubado em algum lugar próximo às minas "Progress", longe da área residencial. De acordo com uma das milícias, aproximadamente às 17h30 do horário local, um An-26 sobrevoava a cidade quando foi atingido por um foguete. Houve uma explosão e o avião foi derrubado, deixando uma fumaça negra e detritos caindo."

A agência de notícias russa RIA Novosti também reportou que um An-26 foi derrubado pelos militantes próximo a Torez em torno de 16h00 no horário local.

Análises da fumaça e trajetória realizadas pelo EUA sugeriram que o míssil foi disparado a partir de uma área entre Torez e Snizhne.

Imagina-se que os 298 passageiros e tripulantes a bordo do voo MH17 ficaram alheios ao horror do impacto do míssil, já que a descompressão causada pela explosão e a consequente destruição da aeronave foi imediata.

O míssil SA-11 - conhecido como ‘urso’ - que atingiu o avião é projetado para pulverizar aeronaves com o impacto. A medida em que os restos da aeronave foram encontrados espalhados por uma grande área, parece se confirmar isso.

Numa primeira análise dos destroços, percebe-se que o Boeing 777 foi perfurado em vários pontos, tento seu combustível se inflamado levando a uma explosão, arrancando para fora os motores e as asas, tudo dentro de uma fração de segundo, ou seja, as pessoas a bordo ficaram inconscientes quase que instantaneamente.

O míssil terra-ar atingiu o Boeing 777 com tal força, que os moradores da região afirmam ter visto corpos caindo do céu "como se fossem trapos”.

Esse tipo de míssil é programado (usando um ‘tracker’) para chegar a um metro do alvo e, em seguida, deixar liberar uma série de estilhaços, que penetram na aeronave em vários pontos. Uma grande aeronave como essa é altamente pressurizada, para permitir que os seres humanos possam respirar em elevadas altitudes, por isso, com a explosão instantânea, quase ninguém a bordo teria sabido o que estava acontecendo. Se não fosse de imediato, os ocupantes do avião teriam ficado inconsciente em frações de segundos.

Corpos nus estavam espalhados em campos no leste da Ucrânia cercado por centenas de bens - incluindo livros infantis, cartas de baralho, chinelos, letras e discos de vinil antigos. Bandeiras brancas improvisadas marcavam o local onde os corpos jaziam nos campos de milho e entre os escombros.

Uma testemunha contou que um cadáver esmagado caiu sobre o telhado de sua casa. 'Houve um ruído contínuo e tudo começou a sacudir. Em seguida, os objetos começaram a cair do céu", disse Irina Tipunova, 65. “E, então, eu ouvi um estrondo e o corpo caiu na minha cozinha."

A especulação sobre a origem do míssil, que permanece não confirmada, provocou uma batalha de propaganda entre os dois lados da crise Ucrânia-Rússia.

Autoridades em Kiev ter feito repetidas declarações que ligam o ataque a separatistas pró-russos.

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Passageiros e tripulação
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A Malaysia Airlines confirmou a presença de 283 passageiros e 15 membros da tripulação a bordo do voo MH17. Não houve sobreviventes. As informações iniciais davam conta que havia a bordo cerca de 80 crianças, informação desmentida posteriormente pela Malaysia Airlines, que confirmou haver três crianças entre os passageiros (duas malaias e uma indonésia). Havia dois passageiros com dupla cidadania: um holandês, que tinha também cidadania norte-americana e um britânico, que tinha também cidadania sul-africana.

Entre as vítimas estavam cerca de cem membros da Sociedade Internacional da AIDS (International AIDS Society), que iriam participar de uma conferência em Melbourne na Austrália, incluindo Joep Lange, pesquisador e ex-presidente da instituição.

Na aeronave estavam:

192 holandeses – 1 deles também tinha nacionalidade americana

44 malaios – incluídos os 15 integrantes da tripulação e 2 bebês

27 australianos

12 indonésios – entre eles 1 bebê

10 britânicos – 1 deles com dupla nacionalidade sul-africana

4 alemães

4 belgas

3 filipinos

1 canadense

1 neozelandês

 

Clique AQUI e acesse a lista oficial de passageiros [em .pdf]

 

Clique AQUI e veja o perfil de algumas das vítimas.

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Investigação
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Separatistas pró-russos teriam alegadamente bloqueado o acesso ao local aos socorristas e à polícia, segundo afirmado pelas autoridades da Ucrânia, e afirmaram ter encontrado a caixa preta da aeronave, e que a iriam entregar às autoridades russas. Não há, no entanto, confirmação desta notícia.

 

Numa comunicação interna entre os separatistas pró-russos, captada pelas autoridades ucranianas e divulgada internacionalmente, estes teriam reconhecido ter derrubado o avião. No entanto, os rebeldes negaram que tenham armamento para derrubar um avião que voe a 10 mil metros de altura dizendo que testemunhas viram um caça ucraniano abatendo o avião, porém, a derrubada do avião ocorreu poucos dias depois da declaração de um dos líderes de milícias pró-russas no leste da Ucrânia, Igor Girkinm (também conhecido por Igor Strelkov) de que abateriam qualquer avião que sobrevoasse a região.

 

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Federação Russa, Andrei Kartapolov, disse que um caça Su-25 da Força Aérea ucraniana voou a uma distância de três a cinco quilômetros do Boeing. Segundo ele, o Su-25 é capaz de atingir alvos aéreos a uma distância de cinco quilômetros. O Pentágono e Kiev consideraram falsas essas informações.

 

Técnicos em segurança aérea criticaram o Eurocontrol por não ter impedido os voos civis no leste da Ucrânia após a derrubada de dois aviões militares naquela região dias antes.

 

A investigação das caixas-pretas do Boeing da Malaysia Airlines abatido no leste da Ucrânia revelou uma "descompressão" ligada a uma "forte explosão" causada por um míssil, segundo informações do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa ucraniano.

 

"Os dados registrados nas caixas-pretas mostram que a destruição e a queda do avião foram causadas por uma descompressão ligada a uma forte explosão em razão das muitas perfurações provocadas por um míssil", informou à imprensa um porta-voz do Conselho ucraniano, Andrii Lyssenko.

 

A AAIB, a agência britânica que investiga acidentes aéreos foi encarregada de examinar as caixas-pretas encontradas no local da queda do voo MH17 que deixou 298 mortos. Os dados devem ser analisados por uma equipe internacional liderada pela Holanda.

 

Kiev e o Ocidente acusam os separatistas de serem os responsáveis pela catástrofe.

 

por Jorge Tadeu da Silva

 



O míssil
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O míssil russo terra-ar 'Buk', provável responsável pela destruição da aeronave da Malaysia Airlines, é um projétil de autopropulsão e guiado capaz de atingir alvos aéreos acima de 22 mil metros, mas que requer um pesado dispositivo em terra, de acordo com especialistas.

 

Há duas versões desses mísseis fabricados pelos russos desde os anos 70: o Buk-M1 e o Buk-M2, chamados na terminologia da OTAN de 'Gadfly SA-11' e 'Grizzly SA-17'.

Sua peculiaridade: eles podem atingir alvos a uma altitude de 72.000 pés (22.000 metros), mais do que o dobro dos 33 mil pés de altitude em que voava o Boeing 777, que partiu de Amsterdã em direção a Kuala Lumpur. Os sistemas Buk são móveis, instalados em veículos. Podem atingir aviões, drones, helicópteros, mísseis de cruzeiro e outros alvos.

Os mísseis terra-ar Buk são generalizados. Antes do início do conflito ucraniano, Kiev possuía de seis a oito baterias, cada uma com quatro mísseis.

A Rússia possui muitos mais, além de sistemas de defesa aérea mais sofisticados, incluindo o S-300 e S-400, mas não está claro se esses sistemas estão implantados na região.

As versões mais recentes desses mísseis terra-ar foram projetadas em uma fábrica em Ulyanovsk pelo fabricante Almaz-Antey, que está incluso nas recentes sanções dos Estados Unidos.

 


O Boeing 777
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O Boeing 777 é um avião widebody de longo alcance, projetado e fabricado pela companhia norte-americana Boeing. É o maior avião bi-jato do mundo, com o motor mais potente já produzido. Pode transportar entre 283 e 368 passageiros na configuração de três classes, por até 17.000 km, ligando as principais capitais sem escala.

As principais características visuais do Boeing 777, que o diferem dos demais aviões, são o diâmetro de seus motores turbofan Rolls-Royce Trent 892 (são os maiores do mundo), seu trem de pouso com seis pneus cada (total de 14, somados os dois do trem de pouso do nariz), e sua fuselagem tipicamente circular e comprida.

O Boeing 777 compete por mercado diretamente com o Airbus A330-300, Airbus A340, e futuramente com o Airbus A350 XWB.

O 777-200ER (modelo do 9M-MDR) possui características como maior capacidade de carregar combustível, peso máximo de decolagem de 286 toneladas, e alcance de 14,316 km. ‘ER’ significa Extend Range (Alcance Estendido).

 

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Foto via Wikimedia Commons
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Dados da aeronave 9M-MRD e do voo MH 17
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Tipo da aeronave: Boeing 777-2H6ER

Empresa aérea: : Malaysia Airlines

Prefixo: 9M-MRD

Número de série: 28411/84

Primeiro voo: 17/07/1997 (17 anos)

Total horas voadas: 75.322 / Ciclos: 11.434

Motores: 2 Rolls-Royce Trent 892

Danos na aeronave: Perda Total

Voo: MH17

Natureza do voo: transporte regular internacional de passageiros

Tripulantes: 15

Passageiros: 283

Fatalidades: 298 (todos os passageiros e tripulantes)

Partida: Aeroporto Internacional de Amsterdam-Schiphol (AMS/EHAM), , Holanda

Destino: Aeroporto Internacional Kuala Lumpur Subang (KUL/WMKK), Malásia

Local do acidente: Hrabove, Ucrânia

 

Por: ASN / Jorge Tadeu.

 

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Foto via Ismail Enes Kahaman (planespotters.net)


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